O ambiente empresarial brasileiro vive movimentos aparentemente contraditórios.
De um lado, milhões de novos negócios continuam surgindo. De outro, milhares de empresas já estabelecidas enfrentam dificuldades financeiras, processos de recuperação judicial e atrasos em suas obrigações.
Os dados de 2026 ajudam a dimensionar esse cenário. Entre janeiro e julho, foram registrados 3,6 milhões de novos negócios no país, sendo quase 97% deles MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte. O número representa crescimento de aproximadamente 14% em relação ao mesmo período de 2025.
Ao mesmo tempo, o segundo trimestre de 2026 registrou um recorde de 6.341 empresas em recuperação judicial, enquanto milhões de empresas apresentavam contas em atraso.
Os números mostram que empreender não se resume a abrir uma empresa. A permanência no mercado envolve capacidade de adaptação, gestão, competitividade e, muitas vezes, a busca por novas fontes de receita.
E onde entram as compras públicas?
O Poder Público é um grande demandante de produtos e serviços. Municípios, Estados, União, autarquias, fundações, empresas estatais e demais entidades realizam contratações para atender necessidades que fazem parte da rotina da Administração Pública.
Construção, engenharia, tecnologia, alimentação, saúde, manutenção, transporte, equipamentos, materiais e diversos outros setores podem encontrar demanda nas contratações públicas.
Por meio de licitações, empresas privadas podem participar desse mercado e fornecer bens ou executar serviços para órgãos públicos.
Isso não significa que as compras públicas sejam uma solução automática para as dificuldades de uma empresa. A participação exige análise de viabilidade, conhecimento das regras, capacidade operacional e avaliação criteriosa de cada oportunidade.
Para negócios que já atuam em segmentos compatíveis com as demandas do Poder Público, olhar para as contratações públicas pode representar uma forma de diversificar mercados sem necessariamente abandonar a atuação no setor privado.
Em um cenário de mudanças, estar em um mercado que já alcançou R$ 1 trilhão em compras em 2026 pode ser parte da estratégia de manutenção, crescimento e continuidade de um negócio.
Para quem empreende, conhecer as possibilidades desse mercado pode fazer diferença.
Por Thyago Klipe
OAB | 116.615